24/01/2005 - 17:05 Outras
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Agricultura Permacultura reativa terras no semi-árido
Um projeto, envolvendo 700
pequenos agricultores nos municípios de Umburanas,
Ourolândia e Cafarnaum está revitalizando cerca de
70 hectares de pequenas propriedades, com culturas
diversas
TÂNIA EREMKIN
Os
resultados positivos do Projeto Policultura no
Semi-Árido, implantado em 1999 em pequenas
propriedades rurais dos municípios de Umburanas,
Ourolândia e Cafarnaum, região a noroeste de
Salvador, deram ao Instituto de Permacultura da
Bahia os prêmios Bahia Ambiental 2004, na
categoria Atuação Sustentável, e Ambiental von
Martius, na categoria Humanidade.
Na
prática, o prêmio foi traduzido na revitalização
das áreas e melhoria da qualidade de vida dos 700
pequenos agricultores envolvidos com o projeto.
Eles chegam a produzir seis toneladas de gergelim
por ano – além de feijão-mulatinho, azuki, andu,
sisal, batata-doce, maxixe, abóbora, melancia,
mamona, palma e frutas – utilizando fertilizantes
orgânicos.
“Os padeiros e donos de
mercadinhos da região devem morrer de raiva da
gente”, afirma a coordenadora-geral do projeto,
engenheira-agrônoma Cinara Sanchez, contando que
as famílias têm mesa farta com os produtos que
passaram a cultivar. O excedente é trocado entre
vizinhos ou vendido para comprar, por exemplo, gás
de cozinha e óleo.
Ela fala da palma que,
por ser da caatinga, muitos pensam tratar-se de
uma planta pobre, sem maiores proveitos. “Ao
contrário, é muito nutritiva, tendo um gosto
parecido com o da vagem e do chuchu”, diz,
contando que a palma é usada em vários pratos,
como ensopados, farofa e picados. Antes da
introdução da permacultura, os agricultores
resumiam a plantação familiar ao feijão e à
mamona.
“Era um cenário triste, com solos
exauridos, de baixa fertilidade, pouco
aproveitamento dos recursos hídricos e com o uso
de técnicas não apropriadas”, recorda a agrônoma,
destacando que atualmente a média de produção de
mamona é de 800 quilos por hectare, um acréscimo
de 20% depois da permacultura.
O Projeto
Policultura no Semi-Árido é em parceria com a
empresa Bom Brasil (de produção de óleo de
mamona), Secretaria de Combate à Pobreza e
Desigualdades Sociais da Bahia, prefeituras dos
municípios de Umburanas, Ourolândia e Cafarnaum,
Fundo Nacional do Meio Ambiente, Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab) e auxílio do
governo dos Países Baixos.
A engenheira
explica que para a utilização da permacultura
avalia-se o passado (se a terra passou por
queimadas, o que foi cultivado) e o presente (o
que está nascendo, o terreno). Pode ser implantada
em qualquer lugar. No caso do Projeto de
Policultura do Semi-Árido, assegura que é “um
sistema agroflorestal na caatinga”. O ponto forte
é “criar água”. Como exemplo, citou as culturas de
sisal, palma e até o mandacaru, cuja
característica é ter água.
No caso do
semi-árido, são consorciadas as culturas de
leguminosas, hortaliças e forrageiras, como a
crotalária, jurema, sabiá e glirecídia, que
proporcionam uma relação de carbono e nitrogênio
mais adequada para o desenvolvimento das plantas.
As árvores são consideradas o clímax,
proporcionando sombra, que ajuda na retenção de
água no solo, madeira, flores para as abelhas e os
frutos. No Projeto de Policultura, as principais
são fruteiras: manga, caju, pinha, cirigüela,
umbu, cajá e a umburana de cheiro. O conceito é de
“plantas companheiras”, uma auxiliando a outra.
Além da diversidade e consórcio das culturas, o
projeto introduziu otimização do uso da água,
administração rural, alimentação animal e adubação
orgânica.
O INSTITUTO – O Instituto
de Permacultura da Bahia foi criado em 1992, sendo
uma entidade sem fins lucrativos com o objetivo de
contribuir para a sustentabilidade nas
comunidades. De acordo com a fundadora, Marsha
Hanzi, o novo paradigma é fundamentado na
cooperação.
A sede administrativa funciona
em uma sala simples no bairro do Imbuí, onde
mantém banco de dados, biblioteca e mantém
reuniões. O instituto edita livros, a exemplo de
“Agrofloresta para crianças – Uma sala de aula ao
ar livre” e o guia “Permacultura, o sítio
abundante – co-criando com a natureza”, de Marsha
Hanzi. Ministra cursos e vivências, como um sobre
construção de fossa séptica, nos dias 29 e 30
deste mês, que ocorrerá em Vila de
Abrantes.
Além do Projeto de Policultura, a
permacultura é praticada em um sítio em Vilas de
Abrantes no município de Camaçari, na Bahia, onde,
na localidade de Sucupira, já existe um esboço de
projeto de criação de um centro de referência de
soluções sustentáveis, para se difundir as
técnicas de agricultura, pecuária e apicultura,
entre outras. Após o diagnóstico participativo,
está pronto o projeto do Lodo, uma localidade de
Barra do Pojuca, perto da reserva de Sapiranga,
buscando-se agora os recursos para implantação.
O QUE
É
conceito
z A agrônoma
Cinara Sanchez e o biólogo Orlando Barros Jr dizem
que cada vez que têm de definir ou explicar o que
é permeacultura, o conceito se expande. “É uma
filosofia de trabalho com a terra e o meio
ambiente, de forma geral, integrados. Aproveitar o
máximo os recursos, interligando ao máximo os
elementos: hortas, pomares, aguadas, criações”,
assinalam, recomendando para as pequenas
propriedades.
prática
z
Diversidade é a palavra-chave, garante Cinara.
Explica que não há nada de novo, apenas a
repetição da agricultura como era tratada
antigamente, ao invés da que foi desenvolvida com
uso de tratores e monocultura, que exaurem o solo.
“A monocultura resume-se a uma só planta,
fragilizando o ambiente e abrindo caminho às
pragas e à desertificação”, ensina.
origem
z O conceito
permacultura foi criado pelos australianos Bill
Mollinson e David Holmgren nos anos 1970: “É uma
reunião de conhecimentos de sociedades
tradicionais com técnicas inovadoras, com o
objetivo de criar uma cultura permanente ,
sustentável, baseada na cooperação entre o homem e
a natureza”. De acordo com texto informativo do
Instituto, “um dos princípios fundamentais é o
respeito pela sabedoria da natureza, que
desenvolveu um sistema perfeito para cada
lugar”.
SERVIÇO
z Mais
informações com o Instituto de Permacultura da
Bahia, pelos telefones (71) 232-4025 e (71)
461-7726 (fax) ou www.permacultura-bahia.org.br
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